sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Altar, palco ou palanque?

Autor: Robson T. Fernandes
O altar, no Antigo Testamento era o lugar em que se ofereciam sacrifícios a Deus, e o desejo do Senhor é que esses sacrifícios fossem agradáveis. No Novo Testamento o altar passa a simbolizar o lugar em que se apresenta algo a Deus, e esse algo deve ser a nossa vida. Nos dias atuais o altar deve ser o lugar em que, ainda, continuamos a nos apresentar diante de Deus. No sentido literal, o altar é o lugar, na igreja, em que se realizam as pregações.
O problema é que o altar tem sido transformado em palco de shows e palanques de promoção pessoal particular. Isso tem sido uma marca desde algum tempo atrás, quando a ética tem sido esquecida e relegada a segundo plano, dando lugar ao egocentrismo que traz o homem à posição de deus, e como tal o torna capaz de exercer a sua soberania fictícia.
Ego é um termo grego que significa “eu”, portanto, egocentrismo nada mais é que trazer o “eu” para o centro. A verdade é que o centro de todas as coisas pertence a Deus, e no instante em que alguém deseja tomar-Lhe o lugar, está usurpando algo que não lhe pertence. Com isso, entendemos que tal atitude não traz boas conseqüências, pois acarretará em uma série de ações que farão com que o Evangelho seja substancialmente substituído por filosofias e pensamentos que nada têm a ver com as Boas Novas de Cristo.
Como vivemos em um tempo no qual todos procuram por seus direitos e têm esquecido os seus deveres, entendemos que essa atitude torna-se sinônimo de um egoísmo que, também, nada tem a ver com as Boas Novas. Ora, se essas atitudes nada têm a ver com as Boas Novas, o que resta para ser falado nesse local que deveria ser identificado como um altar? O que irá se apresentar a Deus nesse lugar que deveria ser identificado como um altar? Nada mais que o próprio ego. O egocentrismo, que é colocar-se como o centro de todas as coisas; o egoísmo, que é o amor excessivo aos próprios bens; a egolatria, que é a adoração a si mesmo; a egomania, que é a auto-estima exagerada que se transforma em doença mental; e o egotismo, que á a ação de atrair a atenção de todos para si mesmo.
Em tempos nos quais a política invadiu os altares das igrejas e nos quais se buscam influências políticas no desejo de se defender as “panelinhas” partidárias e eclesiásticas, torna-se uma tarefa difícil apresentar uma vida santa diante de um Deus santo.
Em tempos nos quais vivemos a tendência de louvar o louvor que nos agrada, e ter fé apenas na própria fé e não no Deus que nos concede a fé, torna-se uma tarefa difícil ter uma vida que se encaixe sem hipocrisia naquilo que se prega nesses altares.
Em tempos nos quais o pecado é tolerado com parcimônia dentro das igrejas, pecadores são ludibriados com falsas e inconsistentes mensagens que não produzem nenhuma mudança de vida, a Bíblia é substituída por longos anos de experiência pessoal, o treinamento bíblico é suplantado, proibido, ridicularizado e escarnecido, a ação do Espírito Santo é substituída por técnicas de psicologia, o povo é conduzido por interesses emocionais e financeiros, o pastoreio é substituído por um desacompanhamento e desencaminhamento que leva indubitavelmente o rebanho ao abismo da libertinagem e a igreja é transformada em “point” de encontro, torna-se mais fácil entender as palavras de Cristo, quando disse: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lc 18:8).
Temos visto altares transformados em palcos de apresentações, nos quais são exibidas as qualidades e talentos que a humanidade pode produzir e o dinheiro pode comprar.
Temos visto altares transformados em palanques políticos nos quais são incutidas nas mentes dos ouvintes as idéias mais absurdas, e nada bíblicas, em defesa dos próprios interesses.
Precisamos de altares, e não de palcos e palanques. Mas altares nos quais a mensagem bíblica seja trazida com fidelidade, o treinamento bíblico seja erguido com seriedade e compromisso, expurgando as invejas e ambições de crescimento pessoal eclesiástico.
Precisamos de altares que sejam ocupados por santos. Santos que estejam dispostos a negar a si mesmos, a abrir mão da vaidade e orgulho. Santos que ensinem o que é perdão, mas que vivam como quem sabe de fato perdoar. Santos que ensinem sobre o amor, mas que vivam esse amor. Santos que tenham a coragem e a ousadia de abrir mão de seus interesses pessoais e vivam em prol dos outros. Precisamos de santos verdadeiros que ocupem altares de verdade.
Precisamos de altares ocupados por santos que tenham na mente, no coração e na boca a mensagem pura do Evangelho, sem falsas prosperidades, sem enganosas promessas, sem fermentos filosóficos que incham mas não nutrem, sem simpatias egoísticas e interesseiras, sem teologias satânicas que diminuem a Cristo, sem apelações para descrentes que pensam ser Jesus um coitadinho que precisa de nós, sem coadunações seculares, sem autodefesas, sem manipulações que visam os cifrões das contas bancárias dos ouvintes e sem chantagens emocionais.
Precisamos de altares ocupados por santos verdadeiros. Precisamos de santos em Cristo Jesus que façam da sua vida um verdadeiro altar, no qual todos possam ver com clareza a presença de Deus e a aprovação Divina para aquela vida. Que todos vejam que naquela vida, naquele altar, já não se vive mais para si mesmo, mas que Cristo vive ali. Precisamos de santos que façam daquele altar na igreja, a verdadeira continuação de uma vida genuinamente bíblica.
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Um comentário:

  1. É isso, vamos deixar a vaidades e os interesses pessoais de lado e nos voltarmos para o Senhor Deus.

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